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7 de Maio de 2021

Pais de Charlie Gard: e se fosse o seu filho?

O caso envolve uma forte questão moral, a respeito dos últimos momentos dignos da vida de uma criança.

Escola Brasileira de Direito, Professor
há 4 anos

O bebê Charlie Gard nasceu com uma raríssima e incurável doença, denominada síndrome de depleção do DNA mitocondrial. Essa enfermidade causa fraqueza muscular progressiva no coração e em outros órgãos essenciais, comprometendo a respiração do enfermo.

Atualmente, existem poucas perspectivas de tratamento para essa devastadora enfermidade.

Toda a calorosa polêmica envolvendo essa nobre criança deu-se após a sua internação no Hospital Great Ormond Street em Londres e constatado a doença e, consequentemente, o seu estado terminal.

Depois de tomarem a decisão de deixar Charlie morrer, os pais do bebe deliberaram e concordaram em levá-lo para a sua residência, onde poderiam ter a oportunidade de dizer adeus a ele da maneira mais amorosa possível.

Todavia, o hospital, Great Ormond Street, disse que não seria possível, devido aos equipamentos necessários para manterem o bebê nos seus últimos instantes de vida. Frente à negativa, os pais decidiram encaminhá-lo para uma casa de repouso especializada, obtendo, novamente, a negatória do hospital, por conta de não terem conseguido encontrar um médico disposto a supervisionar a criança.

Após um longo embate que provocou um caloroso “bate-boca” global sobre quem tem o direito moral de decidir o destino de uma criança doente, o caso foi parar na justiça britânica.

Na última quinta-feira (27/07), um juiz ordenou que Charlie fosse levado para uma clínica, onde os aparelhos que o mantém vivo seriam, paliativamente, desligados, negando o desejo dos pais de Charlie sobre os arranjos para a morte do filho.

Em certo momento, Connie, mãe da criança, gritou no tribunal: "E se fosse seu filho? Espero que você esteja contente consigo mesmo". Depois disso ela saiu da corte em prantos.

Vale pontuar que os pais cogitaram levar Charlie para o Estados Unidos da América, a fim de submetê-lo a um tratamento experimental. Contudo, receberam, outra vez, a negativa, dessa vez tanto do hospital quanto do juiz.

Frente ao exposto, os pais de Charlie Gard, bastante emocionados, concederam uma entrevista e enfatizaram, a saber:

A maioria das pessoas nunca terá que passar pelo que passamos, não tivemos nenhum controle sobre a vida do nosso filho e nenhum controle sobre a morte do nosso filho.
Nós só queremos paz com o nosso filho, sem hospital, sem advogados, sem tribunal, sem mídia, apenas tempo de qualidade com Charlie longe de tudo, para dizer adeus a ele da maneira mais amorosa.

O caso envolve uma forte questão moral, a respeito dos últimos momentos dignos da vida de uma criança. O juiz, certamente, agiu, ao seu ver, da melhor maneira possível. Por sua vez, os pais da criança, acharam tenebrosa a atitude do magistrado. Já, o hospital, agiu em observância ao seu regimento interno.

De acordo com seu entendimento, qual seria a melhor saída para esse dificílimo caso?

Opine nos comentários.

Fontes: G1 e Terra

22 Comentários

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Você deu a entender que eles estavam conformados com a morte da criança e queriam que ele fosse para casa. Na verdade, o desejo primeiro deles era de levá-lo para os EUA, mas foram impedidos pela justiça britânica. continuar lendo

Bom, o q eles fizeram foi eutanásia, mas nesse caso negando aos pais q fizessem qq tentativa de tratamento, q inclusive foi oferecido. É aquela história: aborta a criança para o bem dela, vai q ele seja pobre e sofra. Mataram o bebê Charlie (deixaram morrer negando tratamento) pq era para o bem dele (vai q o tratamento não desse certo, então melhor matar logo). Logo serão os idosos doentes. Depois, os idosos saudáveis, pq mesmo saudável, idoso é custo. Depois os deficientes, doentes de modo geral, pobres, e teremos um ADMIRÁVEL MUNDO NOVO. Só gente linda, rica, sarada, perfeita. Estamos no caminho. continuar lendo

A sociedade perfeita e vivendo dentro do socialismo pela evolução.
Também entendo que assim será. continuar lendo

Com certeza absoluta e dirigido somente ao que li, neste caso, eu estou com os pais. continuar lendo

Em toda essa história houve a possibilidade de um tratamento experimental e o que me parece , que não foi dado a devida importância para esta oportunidade. Não se deve negar ao ser humano a chance e a esperança, por menor que seja. Isso com certeza traria ao coração dos pais a certeza que puderam fazer tudo que estava ao seu alcance para salvar a vida do filho ou de proporcionar uma passagem dessa vida, de uma melhor forma, se assim podemos dizer. continuar lendo